30.12.16
BOAS ENTRADAS
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28.12.16
A LOUCA MANSIDÃO
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26.12.16
AGITAÇÃO
Agita as mãos e, a segui-las, os braços. Roda os ombros e com eles o tronco, a aproximar-se e a afastar-se das costas da cadeira. A cabeça também roda, roda, para um lado, para o outro. Cruza os dedos, não os prende, em leque os faz abrir e fechar, abrir e fechar, a tocarem um teclado que só a mulher saberá se existe. Os pés balançam, a um palmo do chão, batem um contra o outro, para logo poisarem e logo saltarem, alternadamente. Uma das mãos no queixo, depois no nariz, na orelha, no cabelo, a afagar, a apertar, a puxar, a ajeitar. Cruza as pernas, descruza-as, a direita sobre a esquerda, a esquerda sobre a direita.
A mulher que observo fala, fala em contínuo, e a voz dela também se agita, ora em murmúrio quase inaudível, ora em estridência breve, ora num fraseado monocórdico, acometido aqui e ali por uma espécie de soluço.
Interrogo-me. Como será esta mulher quando dorme? E quando faz amor? E quando está sozinha, sem ninguém que a oiça, perdida no seu corpo desamparado?
Volto a observá-la. Quando ri tapa a boca com a mão, a reprimir o riso, sem reprimir a dança do corpo. Frenética, neurótica, hiperactiva, que classificação dar a esta mulher, em que escala, com que justeza? Qual o seu grau de felicidade, a tal que não se pode medir? É uma mulher, é uma mulher que fala acompanhada do ritmo alucinado do seu corpo.
É uma mulher, uma mulher que eu observo e desconheço.
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16.11.16
A PEQUENEZ
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13.11.16
OS CRAVEIROS-DO-AR
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8.10.16
O OUTONO, POIS
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5.10.16
O 5 DE OUTUBRO
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25.9.16
AS ESPLANADAS
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21.9.16
FOI BOM
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20.9.16
COISAS VELHAS
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12.9.16
LUGARES
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21.8.16
LICÍNIA
Minha mãe deu-me o nome. Se eu nascesse rapaz seria o nome a gosto de meu pai. Foi fácil entre eles o comércio de nomes. É um nome quase esdrúxulo, o meu, com uma quase vogal que se repete. Quase fácil, quase audível, o meu nome. É um nome antigo, já serviu a uma imperatriz, quase mandante, pois reza a história que foi filha e consorte de senhores. Também se diz que é nome de oliveira ou do seu fruto de casta cordovesa. O nome preso a mim, eu presa a ele, caminhamos, quase certos de nunca nos deixarmos, quase.
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16.8.16
NAUFRÁGIOS
Acordo com um peso nos ombros. Somos um mundo feito de naufrágios, penso, agarrada às notícias desse mar do meio onde se sepultam os esfomeados. Penso sempre em Agostinho da Silva que alertou para a chegada dos do sul a desnortear a Europa. Entristeço ao saber este lugar de ricos a erguer vedações farpadas para que não entrem os que nada têm senão, ainda, o desejo de viver. Sabemos nós, o homem branco, que nada pode parar o grande êxodo? Todas as guerras que alimentámos, todos os bens que saqueámos, fazem-se agora aflição à nossa porta. Nós, os que tudo temos, trememos de um medo impensável dos que nada têm. Desesperamos e dizemos:
Foto da net: Le Radeau de la Méduse, de Gericault
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1:26 p.m.
O FOGO
O fogo é um animal de muitos braços que envolve, seca, queima, arrasa, da copa à raiz, do telhado à soleira, ameaça animais e homens e, se for de sua vontade, mata. O fogo é um mestre cruel que mostra aos homens as suas fraquezas, os seus erros. Quem melhor do que o fogo nos diz a desertificação do interior, a proliferação do minifúndio sem lei, os velhos, muitos velhos, no isolamento de povoados, o discurso difícil e incoerente das gentes perante a tragédia? Sub-desenvolvimento, pode chamar-se, que serve, sempre serve, aos negociantes do mal.
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25.7.16
OS ESCRITORES
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16.7.16
NÃO HÁ LONJURAS
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9.7.16
O CR7
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5.7.16
JUNO
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3.7.16
SILLY SEASON
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O VIZINHO INVISÍVEL
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18.6.16
MACIA, A MANHÃ
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6.6.16
UM MANGERICO
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16.5.16
QUATRO MENINOS
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2.5.16
ESPERAS
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6.2.16
MUD
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5.2.16
AS MENINAS
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31.1.16
PRESENTES
Colhidas por mãos pequenas
de menina, de menino,
flores do campo
são presentes
inesperados,
comoventes.
Cada qual da sua cor
valem oiros,
valem glórias.
São pedacinhos de amor
com que se escrevem,
se lêem
os grandes livros
de histórias.
Licínia Quitério
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