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7.4.14

HAVIAS DE GOSTAR


Havias de gostar. Das memórias, das histórias. Havias de gostar. Dos que vieram do longe e do perto e dos abraços que deram. Da força ainda sobre os vidros, da alegria ainda sobre as dores. Havias de gostar que não estivessem os que se perderam, os que trairam, os que nunca foram. Havias de gostar que eu não vacilasse ao dizer o que foi, com quem foi.  Havias de gostar de saber que tudo percebeste e ensinaste e, diria eu,  adivinhaste.  De tal maneira havias de gostar, que lá estiveste e desfizeste o nó que eu tinha na garganta. Depois cantei.

Licínia Quitério

2.4.14

A PRIMAVERA


Sabemos que a Primavera é menina de caprichos, instável, imprevisível, de humores vários, temperaturas várias, de alto a baixo da escala, de roupas frescas e abafos, de neve na serra,  de chuva de manhã, de sol à tarde, de arco-íris e de nevoeiros. Também de alergias e gripes tardias, de neuras e depressões, de súbitas paixões, de súbitas separações, de desejos inconsequentes. Dou por mim a perguntar como será viver num país de outros meridianos, de outros paralelos, sem Primavera, sem Outono, sem estas estações de classe média, responsáveis, assim dizemos, por toda a nossa inquietude, pelos espirros e pelos desamores, pela vida mediana e mesmo assim esperançosa que nos faz acreditar em florações perenes, como se as árvores as pudessem suportar.

Licínia Quitério

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