24.10.15

UMA JOVEM MULHER


Ela é uma jovem mulher inteligente, atenta, sensata. Conversávamos sobre tudo, sobre o mundo. 
A minha vida já muito longa retira-me por vezes a humildade de perceber que viver muito nem sempre é sinónimo de pensar muito, nem tão pouco de pensar bem. Acontece por isso dar comigo a dissertar sobre temas para os quais me julgo muito informada, com ideias prontas, e afinal esbarrar com asserções tremendamente válidas, quantas vezes ao arrepio das minhas frágeis convicções. Porque a minha interlocutora me é muito querida, não sinto qualquer incómodo, antes admiração e contentamento por saber que depois de mim virá gente muito melhor, muito mais bem preparada do que eu alguma vez serei. A isto chamo o real progresso da humanidade, em que acredito, sabendo embora dos inevitáveis retrocessos. Como sempre, as mulheres e os homens de inteligência e honestidade não serão a maioria, mas serão eles e elas que levarão por diante o aperfeiçoamento das sociedades em bem estar e bem saber. 
Tenho a sorte de ter gente assim com quem trocar umas ideias, sem tempo medido, sem agenda nem sumário.

Licínia Quitério

22.10.15

A NOITE


A noite tem destas coisas. Acende cores, apaga formas, transforma, ilude, seduz. É capaz de cenários com actores invisíveis, sombras palpáveis, música improvável, talvez nascida nas raízes das plantas que teimam em crescer, rasgando as pedras. Só a Lua percebe a comédia dos homens no teatro da noite.

Licínia Quitério

UTOPIA


Utopia é capaz de ser isto mesmo. Acordar com um sorriso interior a pensar em algo bom que aconteceu, que pode não ser muito, que pode ser uma pequena luz, que nos faz pensar, nada está perdido, continua, é esse o caminho, e vamos, vamos, dia fora, noite fora, o mundo não acabou, o tempo chegará mesmo sem ser o teu.

Licínia Quitério

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