27.9.11

PÔR-DO-SOL 2



E mar e céu se entendem, se confundem, se incendeiam. Há um barco parado ou a sombra dele. Em contra-luz, em frente à luz, a casa espera. Doem-lhe as traves nos gritos das gaivotas. De oiro e de sangue as palavras perdidas nos cais de anoitecer. Salgados os olhos das mulheres. Escurece.

Licínia Quitério

26.9.11

PÔR-DO-SOL




Um fogacho, um farol, um resplendor, uma afirmação, uma descida suave, suave, um beijo de luz, um mergulho de fogo, uma rendição. Finda a tarefa de fazer o dia, ele aí vai, deixando à noite um berço morno. Foi apenas mais um pôr-do-sol. Apenas isso.

Licínia Quitério

13.9.11

AS LUMINÁRIAS



Não, não te pedi que semeasses luminárias na seda salgada da tarde. É mesmo coisa tua. Gostas de me fazer surpresas, de me oferecer o que não tem preço. O teu vulto em contraluz é igual ao recorte que os meus olhos vêem na brancura das paredes do Verão. Sobressalto-me a pensar que podes escorregar na estrada dos limos e cair à água. Tranquilizo-me. A chuva de luz reflecte o teu retrato. As luminárias voltarão. Na próxima tarde, no próximo Verão, na próxima praia das nossas vidas.

Licínia Quitério

12.9.11

TÃO POUCO BASTA



Tão pouco basta para ficar assim diluída, distante, demorada, assombrada, ausente, pateticamente feliz, pateticamente lacrimosa. Na viela que me atravessa, no rasgão de prata a que se chama mar, na barra azul-azul, no oiro da tarde arredondando esquinas, esquadrias. Tão pouco é este tudo, partícula de um tempo efêmero e absoluto. Lamento de gaivota, rumorejar de folhas, cheiro a vísceras da terra, palavra perdida, mansa, indecifrada, minha.



Licínia Quitério

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