Licínia Quitério
25.12.15
REGRESSO
Licínia Quitério
Publicado por
Licínia Quitério
Por favor comente clicando nas horas
9:32 da tarde
4.12.15
TELHAS
Licínia Quitério
Publicado por
Licínia Quitério
Por favor comente clicando nas horas
8:56 da manhã
3.12.15
AS VIOLETAS
Publicado por
Licínia Quitério
Por favor comente clicando nas horas
1:57 da tarde
22.11.15
BALADA DA TERRA
Publicado por
Licínia Quitério
Por favor comente clicando nas horas
12:18 da tarde
21.11.15
A FESTA
Publicado por
Licínia Quitério
Por favor comente clicando nas horas
6:20 da tarde
17.11.15
O AMÁVEL
No andar mais baixo do prédio, a janela aberta, o começo duma tarde quente, um braço a descansar no parapeito, aconchegado por pequena almofada, à medida daquele braço sem vida, a mão fechada, o polegar escondido. A procurar a janela que fica recuada e mais baixa do que o passeio onde caminho, rodo um pouco a cabeça e dou com o rosto daquele braço inerte, um rosto de olhos parados, muito abertos, um esgar no lugar da boca, o tufo de cabelos ondulados a descair sobre as têmporas. Estremeço quando percebo que conheci aquele resto de homem noutro homem inteiro, enérgico, de fala grossa, a dizer-me olá, a tratar-me pelo pequeno nome de infância. Porventura pensara que já tivesse morrido, há muito deixara de o ver, a gente esquece-se dos vivos se não continuam a passar por nós, ao menos de longe em longe, a lembrar, ainda aqui estou, tu também, se calhar sempre estaremos, quem sabe a morte não existe mesmo.
Publicado por
Licínia Quitério
Por favor comente clicando nas horas
3:13 da tarde
15.11.15
A VIAGEM DA CAIXINHA - leitura
Publicado por
Licínia Quitério
Por favor comente clicando nas horas
5:05 da tarde
13.11.15
8.11.15
RIO
dá-me um fado se quiseres,
mas não pares, não emudeças,
não escureças,
que as pedras desta cidade,
o céu sobre elas deitado,
é por ti que se enamoram
e os seus nomes inscrevem
nos livros da marinhagem,
da salsujem, da ferrugem
dos barcos sempre encalhados
nos teus baixios de saudade.
Ah rio do meu caminho,
traz-me novas, traz-me naves,
traz-me verde se puderes,
não te percas, não te vendas,
não te prendas,
que os homens desta cidade,
o céu sobre eles deitado,
é por ti que filhos fazem
nas tardes da beira-rio,
no voltear da folhagem,
numa margem, noutra margem,
no lado de cá da sorte,
nos dois braços da viagem.
Publicado por
Licínia Quitério
Por favor comente clicando nas horas
7:04 da tarde
4.11.15
CIÚMES
“Quem me dera no tempo de saltar os muros para ir roubar ameixas, ainda verdes, de fugir dos cães, dos cães que guardavam as árvores, os quintais, que ladravam e às vezes mordiam a quem trazia, a quem levava, a quem estava e não devia estar ali, no seu entender de cães.”
Publicado por
Licínia Quitério
Por favor comente clicando nas horas
12:36 da tarde
"CALCITRIN"
Pobre senhora desacertada, velha, suscitando sorrisos complacentes, com as suas vestimentas exóticas, os seus risos sincopados e estridentes. Não é tão evidente o seu desacerto porque os dias são de gente fora de catálogo, de tantos e tão variados modos e falas, procurando-se, lançando linhas ao lago vazio de peixes, talvez escondidos no fundo, lá bem no fundo, que oiçam, a seu modo, os pedidos de ajuda, de companhia, de esperança.
Pobre senhora, a atirar frases aos que lhe falam e aos outros que não dão por ela, a ficar magrita, daquela magreza a assinalar os ossos.
Senhora que parece perdida de um mundo que terá sido o seu, alvo de sorrisos e também de carinhos inesperados, de atenções à sua saúde, às suas rotinas implacáveis. "Calcitrin", só toma um por dia, avó, diz a neta que o não é, obediente aos mercados, atentos sempre ao bem estar dos ossos das senhoras, por muito desacertados que elas tenham os relógios, que elas tenham a vida.
A louca de Chaillot - foto da net
Publicado por
Licínia Quitério
Por favor comente clicando nas horas
9:55 da manhã
24.10.15
UMA JOVEM MULHER
Publicado por
Licínia Quitério
Por favor comente clicando nas horas
8:52 da tarde
22.10.15
A NOITE
Licínia Quitério
Publicado por
Licínia Quitério
Por favor comente clicando nas horas
4:50 da tarde
UTOPIA
Publicado por
Licínia Quitério
Por favor comente clicando nas horas
12:44 da tarde
12.9.15
SABER FAZER
Gosto de ferramentas, daquelas palpáveis, com nomes como martelos, chaves, parafusos, e mais mil, e de tentar fazer uso delas nas reparações das pequenas avarias que vão surgindo nas casas.
Licínia Quitério
Publicado por
Licínia Quitério
Por favor comente clicando nas horas
8:46 da tarde
3.9.15
CARTAS A LAURO
Publicado por
Licínia Quitério
Por favor comente clicando nas horas
4:43 da tarde
31.8.15
MINEIROS
Publicado por
Licínia Quitério
Por favor comente clicando nas horas
10:05 da tarde
24.8.15
PALMIRA
foto da net
Publicado por
Licínia Quitério
Por favor comente clicando nas horas
6:10 da tarde
17.8.15
OS LOUCOS
Publicado por
Licínia Quitério
Por favor comente clicando nas horas
2:39 da tarde
15.8.15
VENDER A CASA
Licínia Quitério
Publicado por
Licínia Quitério
Por favor comente clicando nas horas
6:18 da tarde
12.8.15
A TASCA DO DELFIM
Licínia Quitério
Publicado por
Licínia Quitério
Por favor comente clicando nas horas
4:55 da tarde
8.8.15
ESPIGUEIROS
Publicado por
Licínia Quitério
Por favor comente clicando nas horas
3:35 da tarde
6.8.15
O HOMEM DO ACORDEÃO
Licínia Quitério
Publicado por
Licínia Quitério
Por favor comente clicando nas horas
6:49 da tarde
24.7.15
ESCADAS
Licínia Quitério
Publicado por
Licínia Quitério
Por favor comente clicando nas horas
1:48 da tarde
21.7.15
LÁ ISSO...
Licínia Quitério
Publicado por
Licínia Quitério
Por favor comente clicando nas horas
12:58 da tarde
20.7.15
O CÓLEO
Publicado por
Licínia Quitério
Por favor comente clicando nas horas
5:39 da tarde
15.7.15
O FUMO
Sempre triste, a rapariga. Sempre igual nos seus dias sempre iguais. Chega, em passos de uma única medida, a mesma de todos os dias, no seu caminho sempre o mesmo. Elegeu a mesa, a cadeira onde fica, à mesma hora, até à mesma hora de todos os dias. Não se pode afirmar que vista sempre as mesmas calças, a mesma blusa, mas nela tudo parece o mesmo dos dias anteriores, a fita com que prende o cabelo, a cor do cabelo, o penteado. Também iguais a mala a tiracolo, as sandálias com que marca a precisão dos passos lentos. Fuma, a rapariga, vagarosamente, enquanto bebe o café, o copo de água, enquanto folheia o jornal de sempre. Nesta monotonia, o que chama mais a atenção é o mistério no olhar da rapariga, parado, vazio, com que olha o mundo, ou não olha. Um olhar daqueles é igual a um desgosto persistente, a uma espera de nada, a um hiato no tempo da rapariga, a um buraco negro que ninguém sabe o que seja, nem sequer que exista. Tão triste, esta rapariga sempre igual, a sua figura ensaiando a transparência, até que um dia se esvaia com o fumo do cigarro.
foto da net
Publicado por
Licínia Quitério
Por favor comente clicando nas horas
2:55 da tarde
9.7.15
AS RAPARIGAS
São bonitas estas raparigas de longos, largos vestidos, de ombros nus, mais morenas do que brancas, de cabelos compridos, soltos. Diria que são presenças de luz irradiante por detrás dos óculos escuros. Caminham devagar, arrastando um pouco os passos, com uma sensualidade antiga de fêmeas ainda jovens. Muitas trajam de negro, desprezando o calor com que o escuro lhes abusa os corpos.
foto de Les Demoiselles d'Avignon, de Pablo Picasso - recolhida na net
Publicado por
Licínia Quitério
Por favor comente clicando nas horas
10:38 da tarde
28.6.15
OS BONECOS
Publicado por
Licínia Quitério
Por favor comente clicando nas horas
3:09 da tarde
22.6.15
OS MIÚDOS
Publicado por
Licínia Quitério
Por favor comente clicando nas horas
5:07 da tarde
21.6.15
ERA UMA VEZ UM INGLÊS
Publicado por
Licínia Quitério
Por favor comente clicando nas horas
7:09 da tarde