30.12.14
ANO NOVO
Publicado por
Licínia Quitério
Por favor comente clicando nas horas
2:00 da tarde
28.12.14
UM CONTO DE NATAL
“Pensava que fosses tu e foi por isso que não reagi mais depressa. A mala a fugir-me do ombro, eu a voltar-me e não eras tu”.
Ele sempre replicava:
“Porque é que havia de ser eu?”
E enfastiado:
“E se fosse por que raio ia puxar-te a mala?”
Nesse ponto da conversa, ela continuava e ele ouvia, ou não ouvia, que era mais habitual abrir o jornal, por os óculos e limitar-se a pontuar o monólogo com ”hum hum”, “ham ham”, mais espaçados à medida que a fala avançava. Ela parecia não se importar, sentava-se, cruzava as pernas e entusiasmava-se a contar pela milésima vez o que lhe acontecera naquele ano, uns dias antes do Natal. Nessa altura, já não era ele que ali estava, molengão, desinteressado, a puxar por cigarro após cigarro. O outro olhava-a atentamente, seguia-lhe os gestos, bem expressiva a achava e ainda atraente, as rugas aos cantos dos olhos a darem-lhe um encanto de fruta madura. A expressão do outro, o interesse do outro, a graça com que o outro ajeitava a melena, inspiravam-lhe o conto que o Natal lhe trouxera, há uns anos, ao ser surpreendida pelo meliante que lhe sacou a mala e a deixou de mãos vazias, assustada, a gritar, sim, a gritar, a plenos pulmões, que o agarrassem, que era ladrão, que era ladrão, sem que ninguém se aproximasse. Nem imaginavam como se sentira só e desamparada, sem nada na mão, uma mulher sem uma mala na mão é como se estivesse despida. Aí ele costumava dizer “pois”, e virava a página do jornal. O outro tinha um sorriso maroto, ela fazia de conta que não notava e continuava. Quando conseguiu chegar à esquadra, muito afogueada, a contar em catadupa de palavras o que lhe acontecera, vítima de um assalto, ali, senhor guarda, agora mesmo, ninguém acudiu, ali, ao pé do jardim, senhor guarda. Ele interrompia-a, com enfado:
“Sim, já contaste, o guarda disse para te calares e te sentares e só depois de acalmares começou a tomar nota da ocorrência, não foi?”
E voltava ao jornal, agora de página dobrada ao meio, a apagar o cigarro. Ela sentia um friozinho no estômago, pensava em calar-se, levantar-se, sair, mas logo o outro a perguntar, já mais perto dela:
“E então, como foi?”
Era por isso que arranjava coragem para acabar o seu conto de Natal, a dizer que a mala tinha aparecido, sem dinheiro, claro, mas com os documentos todos, o que já não foi tão mau. Era por isso que não chorava quando ele resmungava:
“Agora só para o ano é que voltas a contar essa treta, OK?”
O outro lá estava, a dizer:
“Tens de me contar tudo outra vez. Com mais pormenores”.
Ajeitava a melena. O jornal continuava. Ela não saía.
Publicado por
Licínia Quitério
Por favor comente clicando nas horas
8:35 da tarde
NATAL
Publicado por
Licínia Quitério
Por favor comente clicando nas horas
2:30 da tarde
26.12.14
TÁ MAR
Publicado por
Licínia Quitério
Por favor comente clicando nas horas
2:24 da tarde
21.12.14
SOLSTÍCIO DEZEMBRO 2014
Publicado por
Licínia Quitério
Por favor comente clicando nas horas
5:53 da tarde
20.12.14
MANUEL VEIGA
Publicado por
Licínia Quitério
Por favor comente clicando nas horas
8:13 da tarde
EUFRÁZIO FILIPE
Publicado por
Licínia Quitério
Por favor comente clicando nas horas
8:06 da tarde
A NÊSPERA
Publicado por
Licínia Quitério
Por favor comente clicando nas horas
3:31 da tarde
18.12.14
A AULA DE MORAL
foto da net
Publicado por
Licínia Quitério
Por favor comente clicando nas horas
3:48 da tarde
14.12.14
O BOLOR
Publicado por
Licínia Quitério
Por favor comente clicando nas horas
9:05 da tarde
13.12.14
O SABOR DA GELATINA
Publicado por
Licínia Quitério
Por favor comente clicando nas horas
7:55 da tarde
10.12.14
BALANÇO 2014
Licínia Quitério
Publicado por
Licínia Quitério
Por favor comente clicando nas horas
7:16 da tarde
2.12.14
SYLVIA
Flores crepusculares no grande olmo no lado de fora da casa.
As andorinhas voltaram. Ciciam como aviõezinhos de papel.
Oiço o som das horas
A crescer e a morrer nas sebes. Oiço o mugido das vacas.
As cores renovam-se e a palha húmida
Fumega ao sol.
Os narcisos abrem rostos brancos no jardim.
Estou reconfortada. Estou reconfortada.
........
Sylvia Plath, tradução minha
Publicado por
Licínia Quitério
Por favor comente clicando nas horas
7:16 da tarde
OS CINCO
Licínia Quitério
Publicado por
Licínia Quitério
Por favor comente clicando nas horas
1:19 da tarde