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5.2.11

IN MEMORIAM

vamos, meu irmãozinho. estão todos à nossa espera.

vês aquela menina loira, de perninhas longas, prontas para o grande caminho? vai escrever quatro páginas sobre o pôr-do-sol.

eu cresci muito antes de ti, mas tu ficaste maior do que eu. por necessidade. as ameixas do vizinho eram mais amargas do que as tuas e o muro alto, alto…

és tão desafinado! porque teimas em cantar a internacional?

vamos depressa, mano, o pão tem de chegar cedo à tasca da aldeia.

depois comeremos sandes de atum e beberemos carrascão.

não, as contas fazes tu e eu escrevo o nome dos fregueses, a rimar.

empresta-me os teus óculos onde escondes o segredo da raiz de dois.

ao menos hoje, pára de falar no homem novo. não vês que estamos velhos?

hoje é dia de comermos o gamo, criado na tapada e imolado no altar da nossa infância.

não, não vais dizer o cântico negro. hoje sou eu que digo.

quando eu morrer, tu o dirás comigo.


LICÍNIA QUITÉRIO

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