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26.2.11

FADO



Sabemos nós lá dizer o que é o fado. Da Severa e do Vimioso, da navalha de ponta e mola, do vinho e da saudade, da guitarra em coração, do povo e da fidalguia que o despreza e o inveja, da canalhice e de amores desgraçados, de tudo se pode dizer fado, nesta Lisboa menina e velha, pelos séculos vivida por desvairadas gentes, Lisboa morna e luminosa, Lisboa sempre a olhar o rio, das vielas com novos rufiões, do fado cantado para outras gentes, fado cansado, fado asséptico, fado de cartaz, fado de museu, fado velho de roupas novas, de novas vozes, sem fumo e sem tragédia, fado virado ao mundo que de todo o mundo nasceu, fado que existe e insiste e resiste, que se exibe, despudorado e pretensioso, recolhido e pensativo, rouco, mavioso, gritado e chorado, brutal e talentoso, fado, voz de cidade antiga, ancorada no grande porto de chegadas e partidas adiadas, cansada, garrida, conformada e desesperada, de paredes marcadas pelo amor e pela raiva de todos os tempos que lhe vão cabendo.

Digo fado, digo Lisboa. Pergunto-me.

Licínia Quitério

1 comentário:

M. disse...

E este teu fado podia ser cantado em casa de fados, com música a condizer. Seria interessante.

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