2.1.17

GATO PINGADO





O gato entrou de rompante e logo invadiu a mesa, estonteado, a afirmar que eu tenho de escolher entre ele e o ecrã, por momentos que seja. Passo-lhe a mão pelo lombo, a tentar sossegá-lo e a pedir que se afaste. A mão sente o pelo molhado, borrifado apenas, e percebo assim que começou a chuva lá fora. É um "gato-meteo", penso. Diz-me do sol escaldante com a quentura do corpo esguio e luzidio, do vento, quando o pelo se dessarruma e arrepia e o gato parece mal-disposto. Posso saber de todas estas condições se olhar pela janela da frente e vir como se vestem e comportam os passantes, posso olhar pela janela das traseiras e observar a pele das plantas, brilhantes de sol, molhadas de chuva, agitadas de vento. As pessoas, as plantas, o bicho, o meu universo de sensações e entendimentos.



Licínia Quitério

Sem comentários:

Também aqui

Follow liciniaq on Twitter
 
Site Meter

Web Site Statistics
Discount Coupon Code