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28.9.14

Lisboas


A Lisboa alindada, a dos turistas aos magotes, a da luz incomparável, a de novas culturas, a lindíssima cidade, e a outra, a dos sábados à tarde, de gente pobremente vestida, de gente idosa, sozinha, desfrutando bancos de jardim, esplanadas antigas, de mesas gastas, de pouco ou nenhum consumo, do metro de todos os países, de gente de muitas falas, de jovens mascando pastilha e falando ao telemóvel, de velhos, antecipadamente velhos, de poucos dentes, de grandes olheiras. Lisboa das avenidas das "marcas", das avenidas "novas" e gastas pelo uso, pelo desleixo, com resquícios de uma beleza antiga. Lisboa dos loucos, dos quase loucos, duma loucura cansada e pacífica, que dos brandos costumes ressalta hoje uma loucura branda, de fado e despedida, de morna e mar, de um novo tempo que envelhece, numa espera de maré alta, de gaivotas em terra, que assuste e acorde e vista de sorriso o que agora se gasta, se arrasta, se cala e se conforma e entristece.

Licínia Quitério

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