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6.9.14

IMIGRAÇÃO


O museu da imigração, em Paris. Um lugar a visitar. Ali está uma França digna a afirmar, logo à entrada, "nem todos somos filhos de gauleses". Lá dentro, muitíssimo bem concebida, a exposição da história da imigração que em França procurou vida e alimento e onde deu o suor, a dor, a força incrível de ganhar outras raízes nunca perdendo de vista as primeiras, as dos seus países que, em dados momentos da História, não lhes permitiram a dignidade, a liberdade, a sobrevivência. Entre outros, em lugar destacado, ali estamos nós, os portugueses, os que, entre o "ici" e o "lá-bas", construiram, limparam, serviram, reabilitaram, renovaram a grande cidade. Fotos, objectos, vídeos, testemunhos gravados, nomes de homens e mulheres--coragem que Salazar rejeitou e que outro país recebeu, com todas as grandezas e maldades que sempre sucedem a quem pede asilo e trabalho. Outras vagas estão a acontecer, de cá e de outros mundos, e o museu está atento, registando as trouxas, os pobres sacos dos que chegam, muitos de além-mar, sem nada a não ser a esperança de um lugar onde possam viver e criar os seus filhos. É este museu um lugar que se visita com um aperto no coração, donde se sai devagar, com poucas falas, que nunca se poderá dizer absolutamente a miséria que somos, a grandeza que somos.

Licínia Quitério

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