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27.11.10

OS MENINOS

Chegam em qualquer mês,
em qualquer dia.
Os meninos.
Como as flores,
que as há de todos os tempos.
Como os beijos que não sabem a hora.
Entram-nos em casa
e procuram-nos o rosto.
Trazem recados de outros tempos
e nós não os sabemos decifrar.
Vêm do ventre das mães,
feitos de sangue novo.
Em que pensam? dizemos.
Nunca o saberemos.
Guardam segredos
que não podem revelar.
Quando puderem
já os terão esquecido.
Inviolável o seu tesouro de meninos.
Chegam com os ventos altos,
com as areias, com as cores do outono.
Sempre chegam, os meninos.
Por eles somos e nada sabemos.


Licínia Quitério



1 comentário:

M. disse...

É verdade "Por eles somos e nada sabemos".
Mais um presente.

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