24.8.09
A JANELA DA INFÂNCIA
Publicado por
Licínia Quitério
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13.8.09
A CIDADE
Era uma vez um homem que vivia fora dos muros da cidade. Se cometera algum crime, se pagava culpas de antepassados, ou se apenas se retirara por indiferença ou vergonha - não se sabe. Talvez um pouco de tudo isto, tão certo é que do belo e do feio, da verdade e da mentira, do que se confessa e do que se esconde, fazemos todos nós a nossa casual existência. Vivia o homem fora
Algumas vezes tentou entrar na cidade. Fê-lo não por um irreprimível desejo, nem mesmo por cansaço da situação, mas por mero instinto de mudança ou desconforto inconsciente. Escolheu sempre as portas erradas, se portas havia. E se lhe aconteceu julgar que entrara na cidade, talvez sim, mas era como se a par da cidade real houvesse imagens dela, inconsistentes como a sombra que nos olhos se tornava mais e mais densa. E quando essas imagens se desvaneciam, como o nevoeiro que das águas se desprende ao toque luminoso do sol, era o deserto que o rodeava, e ao longe brancos e altos, com árvores plantadas nas torres e jardins suspensos nas varandas, os muros da cidade brilhavam outra vez inacessíveis.
Da cidade vinham rumores de festa. Assim lho dizia, mais do que os sentidos, a imaginação. Rumores de vida seriam, pelo menos. Não essa morte solitária que é a contemplação obstinada da própriasombra. Não o desespero surdo da palavra definitiva que se escapa no momento em que seria, melhor que uma palavra, uma chave. E então o homem rodeava as longas
Porque o homem acreditava na predestinação. Estar fora da cidade (se disso tinha real consciência) era para ele uma situação acidental e provisória. Um dia, no dia exacto, nem antes nem depois, entraria na cidade. Melhor dizendo: entraria em qualquer parte, que a isto se resumia o seu esperar. Que a névoa da melancolia se tornasse noite, seria um mal necessário, mas também provisório, porque o dia predestinado traria uma explicação. Ou nem isso, sequer. Um fim, um simples fim. Uma abdicação já serviria.
O homem não sabia que as cidades que se rodeiam de muros (ainda que brancos e com árvores) não se tomam sem luta. Não sabia o homem que antes da batalha pela conquista da cidade outro combate teria de lutar consigo próprio. Ninguém sabe nada de si antes da acção em que tiver de empenhar-se todo. Não conhecemos a força do mar enquanto ele não se move. Não conhecemos o amor antes do amor.
Veio a batalha. Como nos poemas de Homero, os deuses entraram nela. Combateram a favor e contra, algumas vezes uns contra os outros. O homem que lutava para viver dentro das muralhas da cidade mesmo assim cruzou espada e palavras com os deuses que estavam do seu lado. Feriu e foi ferido. E a luta durou longos e longos dias, semanas, meses, sem tréguas nem repouso, ora junto às muralhas, ora tão longe delas que nem a cidade se via, nem se sabia bem já que prémio estaria no fim do combate. Foi outra forma de desespero.
Até que um dia o terreno de luta ficou livre e desimpedido, como um estuário onde as águas descansam. Sangrando, o homem e o deus que lhe ficara olharam de frente as portas, abertas de par em par. Havia um grande silêncio na cidade. Ainda amedrontado, o homem avançou. A seu lado, o deus. Entraram - e foi só depois que entraram que a cidade se tornou habitada.
Era uma vez um homem que vivia fora dos muros da cidade. E a cidade era ele próprio. Josephville, se lhe quisermos dar um nome.
José Saramago
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8:16 da manhã
3.8.09
SONHAR, TRABALHAR...
Falava-se de circo e da vontade de conhecer esse mundo de magia e encanto.
Um dos meninos, sentadinho no chão, como os outros, disse: Gostava de ter um circo, mas não tenho. Arrisquei: Talvez, se quiseres com muita força, o consigas ter. Ele disse: Pois é. Preciso é de sonhar, trabalhar, imaginar. Disse e ficou muito quieto, com os olhos fechados, por instantes.
Vestia uma t-shirt vemelha e tinha um bracito engessado. Se voltar a cruzar-me com ele não o reconhecerei, mas as palavras que me deu ficarão muito tempo a ressoar-me nos ouvidos: sonhar, trabalhar, imaginar.
Licínia Quitério
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11:16 da manhã
20.7.09
O CONVENTO
Um dia apareceu um livro que pôs lá dentro o meu convento e o levou a correr mundo. Fiquei tão orgulhosa. Li o livro com encantamento, com pressa. Eu sabia que a minha casa grande um dia havia de ser falada. Corri ao encontro do autor. Precisava de lhe dizer: "Gostei que me tivesse ensinado a ver Mafra sem o convento. Agora olho para o monte antes dele e consigo pensar-me doutro modo". Saramago sorriu, fixou-me por um segundo e deu-me um autógrafo: "À Licínia que é de Mafra".
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12:30 da tarde
3.7.09
DANÇAR E MORRER
Licínia Quitério
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8:46 da tarde
31.5.09
QUANDO A TERNURA

Meu querido filho,
Um dia, quando eu te fiz a pergunta sacramental, o que é que queres ser quando fores grande?, tu respondeste-me muito tranquilamente que querias ser pintor.
JOSÉ FANHA
Com a devida vénia, transcrevo um texto e foto retirados do blog Queridas Bibliotecas. É um lugar de saberes e afectos onde o escritor/poeta/professor/declamador/amigo, José Fanha, nos dá conta da sua aventura diária pelos caminhos da divulgação da leitura e nos fornece pistas para os prazeres que as letras e as artes sempre nos reservam.
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10:24 da manhã
25.5.09
A DIVERSIDADE DAS ESPÉCIES
Licínia Quitério
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3:38 da tarde
19.5.09
Uma pista
http://geometricasnet.wordpress.com/2009/05/15/resarte/
Licínia Quitério
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11:22 da manhã
7.5.09
TURISMO OCIDENTAL 2
É possível e fácil. Compra-se uma pequena península no extremo da ínsula e faz-se dela um composto vendável de praia, floresta e nativos cantando e tocando ritmos trepidantes com letras de ocasião e fraco gosto.
Licínia Quitério
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4:20 da tarde
4.4.09
UM CONCERTO A SOLO

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25.3.09
O MEU AMIGO ANTÓNIO
Licínia Quitério
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6:44 da tarde
21.3.09
QUERER
Como disse Ruy Belo:
Entre mim e as coisas havia vizinhança
Licínia Quitério
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11:03 da manhã
27.2.09
ANA
Gostarei que vejam um vídeo que um amigo me fez chegar. Está lá tudo. Nada a acrescentar. Julgo saber apenas que se chama Ana e tem três anos. Fala em francês e dá uma lição enorme a qualquer adulto de qualquer língua viva deste mundo.
Fica o link: http://vimeo.com/2113477?pg=embed&sec
Licínia Quitério
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9.2.09
TURISMO OCIDENTAL
Licínia Quitério
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7:05 da tarde
24.1.09
UM DIA DIFERENTE
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2.1.09
AN EYE FOR AN EYE

É uma mulher do meu tempo, do meu mundo chamado ocidental. O seu destino é a vingança.
Licínia Quitério
imagens Google
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5:25 da tarde