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7.5.09

TURISMO OCIDENTAL 2

"O meu avô contava de um homem que era tão pobre, tão pobre, que a única coisa que possuia era dinheiro."

É possível e fácil. Compra-se uma pequena península no extremo da ínsula e faz-se dela um composto vendável de praia, floresta e nativos cantando e tocando ritmos trepidantes com letras de ocasião e fraco gosto.
Antes do furacão há um vento quente que despenteia os palmares e rola os corais mortos no areal. A exuberância vegetal é um grito de espanto perante a invasão das construções que abrigam "souvenirs", como se a memória não fosse mais do que um cartaz a cores berrantes.
É o vergar do trópico cansado da sua guerra elementar há muito perdida na voragem fundacional do novo mundo.
A obesidade mórbida dos turistas ameaça a resistência da lona das cadeiras. A pele cor de azeviche dos indígenas forra-lhes a magreza e faz sobressair as dentaduras arruinadas e aparentemente muito brancas.
O reggae põe-me doida, digo. Um slogan, como qualquer outro, que inventei para meu conforto na passagem por lugares que não consigo adjectivar.
Não fora aquela história que um guia contou, floresta adentro, e que acima registo, talvez a solidão dos homens me tivesse sido insuportável.

Licínia Quitério

2 comentários:

Justine disse...

Passeio frustrante, amiga??
Cabo-Verde continua a ter gente de verdade, com música de verdade por dentro e por fora, e vento, e terra seca. Mas tão belo!

Arabica disse...

Licinia,

comentei no sábado, mas tudo se perdeu. Parecem resolvidas as guerrilhas.

Dizia eu, entre muitas outras coisas, que na contagem de almas muitas vezes, sobram corpos, quando as latitudes nos levam assim, para o confronto entre o real e o surreal.


Valem-nos as barcaças que liquidamente nos transportam para a mãe terra. E por lá gostaríamos decerto ter ficado mais tempo...

(em comparação com o teu, o meu paraíso liquido chama-se Djoudj e fica no Senegal)

Beijo grande

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