Site Meter

21.4.17

DONA TELA

Falar da Dona Tela é um exercício arriscado, um solilóquio, uma expiação. Encontrei um pequeno texto que escrevi há um bom par de anos, em resposta a alguém que perguntou quem ela era, e que aqui transcrevo.
"A Dona Tela não sou eu, se bem que por vezes gostasse de ser. Penso que a conheço, ingénua mas não burra, desbocada que baste, deslumbrada por futilidades, de coração de manteiga, presa não tão fácil como parece, mas com perigosas fraquezas, quarentona, sedutora ainda, suburbana e pelintra, muito pelintra. Passo muito tempo sem saber dela. Depois aparece, sempre atenta ao mundo, com a sua linguagem muito viva e heterodoxa."
Ainda hoje ela se me apresenta, agora com as unhas pintadas de azul, as leggings a comprimir algumas molezas, um ombro bem destapado, a jeitosa lá do bairro. Continua a ver telenovelas, sonha com um highphone de último modelo e tem a foto do CR7 ao lado da do dito-cujo, o tal que vende aspiradores e lhe comprou um pedacinho da alma. Só um pedacinho, que a Dona Tela é uma mulher prá-frentex que chora baixinho e ri muito alto, escandalosamente. Confessou-me que simpatiza com a geringonça, mas não me diz qual o elemento do trio ela prefere.

Se eu sou a Dona Tela? Toda a gente sabe que não.

Licínia Quitério

Sem comentários:

Também aqui

Follow liciniaq on Twitter
 
Site Meter

Web Site Statistics
Discount Coupon Code