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7.6.10

CRÓNICA DE DESPERTAR

Em que estou a pensar? Perguntam-me ao despertar. Poderia responder: em nada, como se nada fosse nome de coisa em que se pense. Melhor dizer: em muitas coisas, tantas que se apresentam como uma massa informe, parecida, lembrei-me agora, com um pão de sementes antes de ser cozido. É isso. Estão a ver? Uma mole de farinha e água, a tomar jeito, pespontada aqui e ali por grãozinhos de cereais. Farinha foi a noite e os sonhos muitos, incoerentes, difusos, como se querem os sonhos. A noite ainda aqui mora, mas os grãos de ideias multiplicam-se, colidem, atrapalham-se, procuram os seus lugares no dia.
No páteo, um leve zumbido de insectos para a colheita do néctar divino. Há um diálogo de cães, na vizinhança. Que dirão? Fome, sede, amor pela cadelinha branca que os provoca? Tomo o meu café, negro, quente, amargo e só então dou os bons dias a mim mesma. Como quem diz: A moleza por hoje acabou. O dia espera-te.

O céu está azul, imaculado, mas, vinda dos lados do mar, anuncia-se uma neblina que talvez à tarde se diga frescura. Como é costume neste mês de rosas, mas também de caprichos e incertezas.

Licínia Quitério

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