Grande, grande é a cidade. Um
colosso de casas e gentes, de histórias alegres e tristes das casas, das
gentes. A cidade tem um coração, mais pequeno que a soma dos corações das
gentes. A cidade é um polvo, é uma aranha, é um animal maior que a soma dos pequenos
animais que a habitam. A vida da cidade não é a soma das vidas das gentes. É
outra coisa, é o pulsar de uma mole gigantesca de madeira, betão, pedra, metal, que
constantemente se corrói e se constrói. Vista de longe, do alto, é uma planura
pontuada de pequenos e grandes cerros, um diamante aqui, outro acolá, a
rebrilhar ao sol do dia. Vulnerável, a cidade grande, às intrusões dos que a
desamam, aos desmandos dos que a amam. Pelos séculos permanece, mutante,
enigmática, desejada.
26.2.15
GRANDE É A CIDADE
Publicado por
Licínia Quitério
Por favor comente clicando nas horas
10:46 da manhã
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
Sem comentários:
Enviar um comentário