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14.5.12

O CALOR E O VERDE




Foram os dias do calor e do verde. A luminescência do granito acendia estrelinhas sob os nossos passos. A sinfonia de verdes, nas alturas da Penha, dissipava todo o cansaço que do corpo se esquecia. Da humildade dos musgos à altivez das frondes dos carvalhos, toda uma gama de ondas de cor e de luz, que uma e a mesma coisa são, mas nos confundem o desejo de diversidade. As grandes pedras, solitárias ou em acasalamentos de improvável estabilidade, chamam-nos, provocam-nos, sugerem a nossa pequenez, a quase transparência que somos no tempo do calor e do espanto. Só quando regressamos ao casulo dos dias, repegamos a construção da solidez, antes de sermos, nós também, uma cor, uma luz, na última, possível, única dimensão.

Licínia Quitério

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