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3.4.11

O PÓ DO TEMPO



O pó do tempo, as manchas do tempo, os estragos, os apagões, os hiatos na memória, tudo o que foi, e o que já não é, e o que ainda é, e o que ficará depois de nada ser. Caminhadas, cavalgadas, paragens, viragens, retornos, novas caminhadas, cada vez mais lentas, mais curtas, mais serenas, cada vez mais perto, cada vez mais longe. Sobre os silêncios, os ecos, os reflexos, as miragens, as imagens, as sombras. A lembrança de um vestido de flores, de uma caixa de bolos, de um colo morno, de uma cantilena, de uma zanga, de um mimo, de um ninho. Olhar para trás e divisar o princípio. Acertar o passo, uma vez mais, caminhar, devagar, já sem pressa, cumprir a estrada, o salto, o voo. Tão longe o ninho!

Licínia Quitério

1 comentário:

M. disse...

Que pena ficarmos apenas com as memórias. Ou talvez não, porque através delas apreciamos ainda mais a vida que nos sobra.

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