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Licínia Quitério, em "Os Olhos de Aura", 2017
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12:10 da tarde
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12:05 da tarde
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1:21 da tarde
Estão por toda a parte. Altos, esguios, com suas três velas atraindo os ventos. Erguem-se em bandos cada vez mais numerosos. Quando escurece, acendem um olhito não vá algum avião ou avejão com eles embater, trucidar-se. São afinal ventoinhas gigantes, altivas, de corpos anoréticos, rodando, rodando, enxameando colinas, relevos, zumbindo, zumbindo. Ao pé delas, os velhos moinhos de vento e farinha parecem anõezinhos reformados, saudosos dos seus tempos de convívio diário com os homens, seus donos e companheiros de labuta. Chamavam-lhes moinhos de vento. Dos novos, para que algum passado lhes seja conferido, dizem que são eólicos. Velhos, novos engenhos. Só o vento é o mesmo, caprichoso, suave, arrasador, genioso, invisível, eterno como a vida. Licínia Quitério |
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4:16 da tarde
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9:15 da tarde
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3:40 da tarde
| Na praia um poço de oiro. Viram-no, as gaivotas. Uma delas
bebeu um golo da súbita incandescência. A pele do mar ganhou escamas miúdas de
luz e sombra. A areia ruborizou-se ao receber certa hora dos mágicos. Foi o
solstício e eu estive lá. Licínia Quitério |
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4:57 da tarde
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7:17 da tarde
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2:42 da tarde
O rodado dos carros na rua produz agora um ruído abafado, a evidenciar a lâmina de água que se interpõe entre o asfalto e a borracha. De o ouvir, adivinhamos os salpicos que vão saltando das rodas. Se alguém passar na berma dos passeios, talvez os sinta nos pés, no fato, e se afaste a evitar o incómodo. A luz dos faróis acende a poalha de chuva que vai caindo, oblíqua, mansamente. Os habitantes dos carros entrarão em casa desejosos de conforto, de lume, de comida cheirosa. Calçam chinelos, esfregam as mãos e dizem, até que enfim a chuva. São felizes os humanos que neste momento imagino. Tem de haver gente feliz para que as histórias não morram. Licínia Quitério |
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7:08 da tarde
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6:53 da tarde
Gosto quando
a arquitectura nos diz de encontros e desencontros, de gostos, funções, testemunhos
de muitas e variadas ordens de sucessivos mandantes, e nos deixa perplexos na
procura de um fio que nos conduza e nos conte histórias de destruições, de
cataclismos, de faustos e misérias e básicas utilidades. A segurar a história
estão as pedras, as dos tempos muito antigos, as de hoje, e a juntá-las a cal,
a cobri-las a tinta. Da gruta à pirâmide quanto caminho andado, quanto deserto
nascido. Do palácio à choupana, quantos amores vividos, quanta fome, quanta
sede de mar. De tudo isto me alimento
quando inauguro um sítio escuso, algures, na torreira da tarde, onde ninguém se
demora, que ninguém guarda na memória.
Licínia Quitério
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9:23 da tarde
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12:43 da tarde
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9:20 da manhã
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5:08 da tarde
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1:21 da tarde
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4:12 da tarde
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7:38 da tarde
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4:37 da tarde
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1:10 da tarde
A miúda passava todos os dias, à mesma hora, defronte do
café dos velhos que a seguiam com olhos saudosos de juventude. A miúda não
reparava neles, ia sempre apressada, segura de querer chegar onde a esperavam.
Foi assim até ao dia em que a atenção dela foi tocada por um baque surdo e uma
vozearia de aflição. Virou-se, deu uns passos atrás, perguntou, precisa de
ajuda. Ajude-me a levantar, menina, estes velhos não conseguem. Ela sorriu,
abraçou-o pelas costas e ergueu-o. Estava pálido, ela só se foi embora quando o
viu sentado e a beber um copo de água. Os outros velhos diziam frases
desgarradas, que coisa, tu vê lá, estás bem, ó pá atiraste-te para o chão para
a miúda te agarrar, cala essa boca.
Entre dois golos, ele só disse, baixinho, para ela não
ouvir, é tão bonita
.
Licínia Quitério
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8:53 da tarde
"De vez em quando todos precisamos de algum vento nas costas." - no filme I Daniel Blake, de Ken Loach. |
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4:45 da tarde
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3:46 da tarde
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10:06 da manhã
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6:09 da tarde
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5:32 da tarde
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8:25 da tarde
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11:35 da manhã
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7:31 da tarde
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6:56 da tarde
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2:56 da tarde
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7:04 da tarde
Não me perguntem qual o nome, o dos botânicos. Para mim chamam-se craveiros-do-ar. Foi assim que conheci os seus antepassados, pendurados num ramo da pereira de peras pardas, no quintal da minha avó. Para meu espanto, eles multiplicavam-se e floriam e só bebiam a água da chuva e comiam o que o ar lhes trazia, que eu não podia ver, mas eles viam de certeza. Os craveiros-do-ar mudaram-se do quintal da minha avó, quando ela também se mudou e foi viver como os craveiros, era o que eu queria acreditar, da água da chuva e do que o ar lhe desse. Mudaram-se e foram viver na vedação de grades do quintal da minha mãe, onde tiveram muitos filhos que iam florindo e enfeitando a pouca graça da vedação. Quando a minha mãe foi viver como eles e como a minha avó, da grande água e do grande ar, eles passaram a viver nos muros do meu pátio e a dar-me as flores garridas que me fazem lembrar, sei bem porquê, o gosto das peras pardas. Licínia Quitério |
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12:43 da tarde