25.9.16
AS ESPLANADAS
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11:04 da manhã
21.9.16
FOI BOM
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11:43 da manhã
20.9.16
COISAS VELHAS
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8:02 da tarde
12.9.16
MULHERES
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1:27 da tarde
LUGARES
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10:01 da manhã
21.8.16
LICÍNIA
Minha mãe deu-me o nome. Se eu nascesse rapaz seria o nome a gosto de meu pai. Foi fácil entre eles o comércio de nomes. É um nome quase esdrúxulo, o meu, com uma quase vogal que se repete. Quase fácil, quase audível, o meu nome. É um nome antigo, já serviu a uma imperatriz, quase mandante, pois reza a história que foi filha e consorte de senhores. Também se diz que é nome de oliveira ou do seu fruto de casta cordovesa. O nome preso a mim, eu presa a ele, caminhamos, quase certos de nunca nos deixarmos, quase.
Licínia Quitério
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6:27 da tarde
16.8.16
NAUFRÁGIOS
Acordo com um peso nos ombros. Somos um mundo feito de naufrágios, penso, agarrada às notícias desse mar do meio onde se sepultam os esfomeados. Penso sempre em Agostinho da Silva que alertou para a chegada dos do sul a desnortear a Europa. Entristeço ao saber este lugar de ricos a erguer vedações farpadas para que não entrem os que nada têm senão, ainda, o desejo de viver. Sabemos nós, o homem branco, que nada pode parar o grande êxodo? Todas as guerras que alimentámos, todos os bens que saqueámos, fazem-se agora aflição à nossa porta. Nós, os que tudo temos, trememos de um medo impensável dos que nada têm. Desesperamos e dizemos:
Foto da net: Le Radeau de la Méduse, de Gericault
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1:26 da tarde
O FOGO
O fogo é um animal de muitos braços que envolve, seca, queima, arrasa, da copa à raiz, do telhado à soleira, ameaça animais e homens e, se for de sua vontade, mata. O fogo é um mestre cruel que mostra aos homens as suas fraquezas, os seus erros. Quem melhor do que o fogo nos diz a desertificação do interior, a proliferação do minifúndio sem lei, os velhos, muitos velhos, no isolamento de povoados, o discurso difícil e incoerente das gentes perante a tragédia? Sub-desenvolvimento, pode chamar-se, que serve, sempre serve, aos negociantes do mal.
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1:07 da tarde
25.7.16
OS ESCRITORES
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1:09 da tarde
16.7.16
NÃO HÁ LONJURAS
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3:54 da tarde
9.7.16
O CR7
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6:50 da tarde
O NINHO
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4:57 da tarde
5.7.16
JUNO
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11:05 da manhã
3.7.16
SILLY SEASON
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7:19 da tarde
O VIZINHO INVISÍVEL
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3:05 da tarde
18.6.16
MACIA, A MANHÃ
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11:15 da manhã
6.6.16
UM MANGERICO
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8:27 da tarde
30.5.16
PATAS
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9:01 da tarde
16.5.16
QUATRO MENINOS
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9:12 da tarde
2.5.16
ESPERAS
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7:26 da tarde
6.2.16
MUD
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4:17 da tarde
5.2.16
AS MENINAS
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10:09 da manhã
31.1.16
PRESENTES
Colhidas por mãos pequenas
de menina, de menino,
flores do campo
são presentes
inesperados,
comoventes.
Cada qual da sua cor
valem oiros,
valem glórias.
São pedacinhos de amor
com que se escrevem,
se lêem
os grandes livros
de histórias.
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2:59 da tarde
25.12.15
REGRESSO
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9:32 da tarde
4.12.15
TELHAS
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8:56 da manhã
3.12.15
AS VIOLETAS
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1:57 da tarde
22.11.15
BALADA DA TERRA
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12:18 da tarde
21.11.15
A FESTA
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6:20 da tarde
17.11.15
O AMÁVEL
No andar mais baixo do prédio, a janela aberta, o começo duma tarde quente, um braço a descansar no parapeito, aconchegado por pequena almofada, à medida daquele braço sem vida, a mão fechada, o polegar escondido. A procurar a janela que fica recuada e mais baixa do que o passeio onde caminho, rodo um pouco a cabeça e dou com o rosto daquele braço inerte, um rosto de olhos parados, muito abertos, um esgar no lugar da boca, o tufo de cabelos ondulados a descair sobre as têmporas. Estremeço quando percebo que conheci aquele resto de homem noutro homem inteiro, enérgico, de fala grossa, a dizer-me olá, a tratar-me pelo pequeno nome de infância. Porventura pensara que já tivesse morrido, há muito deixara de o ver, a gente esquece-se dos vivos se não continuam a passar por nós, ao menos de longe em longe, a lembrar, ainda aqui estou, tu também, se calhar sempre estaremos, quem sabe a morte não existe mesmo.
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3:13 da tarde
15.11.15
A VIAGEM DA CAIXINHA - leitura
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5:05 da tarde
13.11.15
8.11.15
RIO
dá-me um fado se quiseres,
mas não pares, não emudeças,
não escureças,
que as pedras desta cidade,
o céu sobre elas deitado,
é por ti que se enamoram
e os seus nomes inscrevem
nos livros da marinhagem,
da salsujem, da ferrugem
dos barcos sempre encalhados
nos teus baixios de saudade.
Ah rio do meu caminho,
traz-me novas, traz-me naves,
traz-me verde se puderes,
não te percas, não te vendas,
não te prendas,
que os homens desta cidade,
o céu sobre eles deitado,
é por ti que filhos fazem
nas tardes da beira-rio,
no voltear da folhagem,
numa margem, noutra margem,
no lado de cá da sorte,
nos dois braços da viagem.
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7:04 da tarde
4.11.15
CIÚMES
“Quem me dera no tempo de saltar os muros para ir roubar ameixas, ainda verdes, de fugir dos cães, dos cães que guardavam as árvores, os quintais, que ladravam e às vezes mordiam a quem trazia, a quem levava, a quem estava e não devia estar ali, no seu entender de cães.”
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12:36 da tarde
"CALCITRIN"
Pobre senhora desacertada, velha, suscitando sorrisos complacentes, com as suas vestimentas exóticas, os seus risos sincopados e estridentes. Não é tão evidente o seu desacerto porque os dias são de gente fora de catálogo, de tantos e tão variados modos e falas, procurando-se, lançando linhas ao lago vazio de peixes, talvez escondidos no fundo, lá bem no fundo, que oiçam, a seu modo, os pedidos de ajuda, de companhia, de esperança.
Pobre senhora, a atirar frases aos que lhe falam e aos outros que não dão por ela, a ficar magrita, daquela magreza a assinalar os ossos.
Senhora que parece perdida de um mundo que terá sido o seu, alvo de sorrisos e também de carinhos inesperados, de atenções à sua saúde, às suas rotinas implacáveis. "Calcitrin", só toma um por dia, avó, diz a neta que o não é, obediente aos mercados, atentos sempre ao bem estar dos ossos das senhoras, por muito desacertados que elas tenham os relógios, que elas tenham a vida.
A louca de Chaillot - foto da net
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9:55 da manhã
24.10.15
UMA JOVEM MULHER
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8:52 da tarde
22.10.15
A NOITE
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4:50 da tarde
UTOPIA
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12:44 da tarde
12.9.15
SABER FAZER
Gosto de ferramentas, daquelas palpáveis, com nomes como martelos, chaves, parafusos, e mais mil, e de tentar fazer uso delas nas reparações das pequenas avarias que vão surgindo nas casas.
Licínia Quitério
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8:46 da tarde
3.9.15
CARTAS A LAURO
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4:43 da tarde











