Licínia Quitério
24.7.15
ESCADAS
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1:48 da tarde
21.7.15
LÁ ISSO...
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12:58 da tarde
20.7.15
O CÓLEO
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5:39 da tarde
15.7.15
O FUMO
Sempre triste, a rapariga. Sempre igual nos seus dias sempre iguais. Chega, em passos de uma única medida, a mesma de todos os dias, no seu caminho sempre o mesmo. Elegeu a mesa, a cadeira onde fica, à mesma hora, até à mesma hora de todos os dias. Não se pode afirmar que vista sempre as mesmas calças, a mesma blusa, mas nela tudo parece o mesmo dos dias anteriores, a fita com que prende o cabelo, a cor do cabelo, o penteado. Também iguais a mala a tiracolo, as sandálias com que marca a precisão dos passos lentos. Fuma, a rapariga, vagarosamente, enquanto bebe o café, o copo de água, enquanto folheia o jornal de sempre. Nesta monotonia, o que chama mais a atenção é o mistério no olhar da rapariga, parado, vazio, com que olha o mundo, ou não olha. Um olhar daqueles é igual a um desgosto persistente, a uma espera de nada, a um hiato no tempo da rapariga, a um buraco negro que ninguém sabe o que seja, nem sequer que exista. Tão triste, esta rapariga sempre igual, a sua figura ensaiando a transparência, até que um dia se esvaia com o fumo do cigarro.
foto da net
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2:55 da tarde
9.7.15
AS RAPARIGAS
São bonitas estas raparigas de longos, largos vestidos, de ombros nus, mais morenas do que brancas, de cabelos compridos, soltos. Diria que são presenças de luz irradiante por detrás dos óculos escuros. Caminham devagar, arrastando um pouco os passos, com uma sensualidade antiga de fêmeas ainda jovens. Muitas trajam de negro, desprezando o calor com que o escuro lhes abusa os corpos.
foto de Les Demoiselles d'Avignon, de Pablo Picasso - recolhida na net
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10:38 da tarde
28.6.15
OS BONECOS
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3:09 da tarde
22.6.15
OS MIÚDOS
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5:07 da tarde
21.6.15
ERA UMA VEZ UM INGLÊS
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7:09 da tarde
30.5.15
A PONTE
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5:52 da tarde
28.5.15
O ESPELHO
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7:55 da tarde
26.5.15
A FOLHA
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3:44 da tarde
23.5.15
SERRA D'ARGA
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9:02 da manhã
19.5.15
A BUGANVÍLIA
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2:57 da tarde
8.5.15
O RACIONAMENTO
foto da net
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4:36 da tarde
3.5.15
A MARCA DO WHISKY
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4:39 da tarde
23.4.15
O SUICÍDIO DA CADEIRA
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6:02 da tarde
19.4.15
O CERCO
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10:31 da manhã
9.4.15
GLICÍNIAS
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3:50 da tarde
20.3.15
O ECLIPSE 2
Num jardim, numa praça da cidade, eu em cima de um banco, ele no chão, muita gente por ali, eram os anos em que as pessoas tinham curiosidades, havíamos saído há pouco de um eclipse social. Foi um eclipse total do Sol, daqueles que só vemos uma vez na vida, se ela não for demasiado longa. Foi breve a escuridão, um vento se levantou do chão da praça e fez redemoinhar as copas das árvores, a dar-me um arrepio, talvez nas costas, talvez no coração. Lembro-me de um curto silêncio, da estupefacção das pessoas, tudo muito breve, já passou, a minha mão ainda uns instantes no ombro dele, não fosse a terra cair, não fosse o mundo acabar, agora que o mundo novo, a nova vida, apenas começavam para mim.
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8:18 da tarde
O ECLIPSE
foto da net
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3:19 da tarde
17.3.15
IDOS DE MARÇO
É a roupa a corar
É o musgo no muro
A andorinha a ensaiar
O seu voo futuro
São as águas de Março
O Inverno acabado
São os idos de Março
É preciso cuidado
Licinia Quitério
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6:53 da tarde
16.3.15
PEIXE FRESCO
Licínia Quitério
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4:20 da tarde
11.3.15
"ADMIRÁVEL MUNDO NOVO"
Conhecemo-nos desde os anos do princípio do século em que os blogues abriram portas para outros mundos virtuais e se tornaram encontro de muita gente que se uniu por gostos comuns, que se atreveu a expor ideias, saberes, talentos até ali inéditos. Foi por aí que no meu blogue O Sítio do Poema me travei de simpatias e amizades com gente de que vagamente sabia um nome ou um "nome de guerra", uma fotografia ou um avatar. Com o correr dos anos, muitos desistiram, desapareceram, por uma razão ou por outra faltaram aos encontros que, na febre da novidade, chegavam a ser diários. Depois veio o Facebook e nos blogues, perdido o encanto inicial, persistiram os jornalistas, os escritores, os fotógrafos, e outros e outros e até eu que teimo em publicar o que vou escrevendo.
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4:04 da tarde
27.2.15
UM HOMEM TRANQUILO
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4:10 da tarde
26.2.15
GRANDE É A CIDADE
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10:46 da manhã
24.2.15
ALCOVITEIRAS
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3:35 da tarde
22.2.15
ARCAS
A revolver arcas, digitais e das outras, onde dormem textos, apontamentos, mais ou menos diarísticos, mais ou menos ficcionados, desabafos em tempos ruins, cartas que nunca seguiram, recados que não foram dados. Uma vida feita também de palavras escritas, que as ditas o vento as leva, apenas uma ou outra pousando, por um tempo mais ou menos escasso, no coração ou na memória de alguém.
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7:04 da tarde
16.2.15
A PEDRA
A pedra que El-Rei pisou
durou, durou e durou.
Alguém a trouxe da serra
e, achando-a desajeitada,
as arestas lhe adoçou,
a poliu, arredondou.
Depois, tratou de cravá-la
ao pé das muitas irmãs.
Todas juntas, alinhadas,
cores e desenhos casados,
a passadeira cresceu
e enfeitou os jardins
do Alcácer que El-Rei pisou.
Das fontes corriam águas
nascidas da mesma serra
de onde trouxeram a pedra
que El-Rei sem notar pisou.
De entre todas as pedrinhas
do tapete de passagem
de nobres, aios, trovadores,
aquela que veio da serra
de onde brotavam as águas
que as fontes regurgitavam
ganhou alma, mas, confusa,
em vez de asas inventar,
foi afundando, afundando,
a cada passo de El-Rei
que nunca para ela olhara
nem sentira a resguardar
as suas solas reais,
os seus fortes cabedais.
Ajeitada sob a areia,
e a cama de folhagem,
ali ficou muito quieta,
espreitando o tempo passar,
até que El-Rei não foi mais
e as trovas dos trovadores
se foram dali soando
mundo fora, tempo além.
Séculos amontoados,
guerras, tratados, desordens
e depois as novas ordens,
tudo a pedra viu passar.
Até que as fontes secaram,
o jardim desencantou
e as irmãs pedras, cansadas,
uma a uma se soltaram
da passadeira que El-Rei
com tanta pompa pisou.
Só a pedrinha azulada
persistiu e ali ficou
sozinha, mas sempre atenta
a quem por ela passou.
Foi numa tarde de calma
do Verão que tudo secou
(até a cama de folhas
que El-Rei em tempos pisou)
que a pedrinha muito velha,
enrijecida porém
por tudo o que viu passar,
se mostrou furtivamente
a uma dama perdida
que ali passou e poisou
suas sandálias tecidas
de trovas de amor antigas.
Mostrou-se e a dama a notou.
Curvou-se como se ouvisse
um chamamento da terra.
Pegou na pedra azulada,
brilhante de ser pisada,
da palma da mão fez leito,
nele a deitou e limpou
das sujidades do tempo.
E pedra e dama entoaram
na voz que os jograis deixaram:
“Há sempre um cantar de amigo
que nos conforta na dor,
seja ele em forma de pedra,
de dama, de fonte ou flor.
Pedrinha que El-Rei pisou
durou, durou e durou,
até que dama a encontrou
e pelos ares a levou
para contar sua história
de bela pedra azulada
que descobriu um lugar
em concha de mão cansada,
pronta a fazê-la chegar
até seu berço natal,
seja uma estrela, um planeta
ou mesmo, talvez, quem sabe,
uma nave espacial."
Pedrinha que El-Rei pisou
durou, durou e durou.
Licínia Quitério
foto da net - Jardim do Paço, Alcáçovas
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9:11 da tarde
7.2.15
AS GUERRAS
Ninguém pode saber que feitio têm as guerras. Mesmo quem lá esteve tem sobre isso grandes dúvidas. Podem dizer que são planas como a terra dos planaltos depois das máquinas, uma vez enterrados os corpos, ou esféricas como os planetas negros onde todos os caminhos conduzem ao princípio. A cor das guerras é diversa como a dos mutantes, sépia de polvos, vermelha de sangue fresco, luzente de fogos-fátuos. Da duração das guerras pouco se sabe, que a contagem dos segundos não se faz com o tempo dos vivos. Cada um de nós tem o seu saber da guerra, a sua presunção, a sua lembrança ou a lembrança de um relato que lhe fizeram de outro relato de alguém que viu ou não viu.
foto da net - imagem do filme O Pianista
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5:57 da tarde
27.1.15
O EMBRULHINHO
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8:13 da tarde
19.1.15
FORMIGUINHA
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3:15 da tarde
14.1.15
O NOVO FADO DA DESGRAÇADINHA
Ai ai meu bem se pudesse
Fazer o que me apetece
Não fugirias de mim
Dirias sempre que sim
A tudo o que te pedisse
E logo que eu descobrisse
As pegadas da mentira
Nas cordas da tua lira
Nas voltas da tua voz
A soar além de nós
Ai ai meu bem eu daria
O laço com que prendia
O teu ao meu coração
À tarde ao vento suão
Para que longe o levasse
E nunca mais regressasse
Ai ai meu bem se pudesse
Fazer o que me apetece
Eu voltaria a sofrer
Que o meu destino é não ter
Na força do teu abraço
Alívio deste cansaço
De não saber conjugar
Verbo ser com verbo amar
Licínia Quitério
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6:26 da tarde
8.1.15
PARIS
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11:10 da manhã
4.1.15
À RODA
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2:05 da tarde
2.1.15
PAIS
Gosto de ver jovens pais a cuidar dos seus filhos com o mesmo carinho e eficiência que dantes eram cometidos só às mães. Têm os gestos suaves, certeiros, acarinhando, tratando, protegendo. Mudam a fralda, põem um pano ao ombro onde apoiam a cabeça do bebé, dão as palmadinhas ritmadas no rabinho, a acalmar o choro, beijam, andam na sala de um lado para o outro e cantam canções de ninar, fervem o biberão e fazem cair uma gota nas costas da mão, a avaliar a conveniência da temperatura. Levam o bebé ao médico, embalam-no enquanto esperam, vão corredor fora com o filho num braço e a cadeirinha no outro, voltam e vestem-lhe o casaquinho, cobrem-lhe a cabeça com o carapuço, deitam-no na cadeirinha, dizem baixinho, vamos, filho. Gosto de ver, dá-me confiança na humanidade que é capaz de, independentemente do género, se assumir criadora e cuidadora das suas crianças. Gosto de olhar por estas janelas de esperança, mau grado o tempo frio e acre que vivemos.
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3:25 da tarde
30.12.14
ANO NOVO
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2:00 da tarde
28.12.14
UM CONTO DE NATAL
“Pensava que fosses tu e foi por isso que não reagi mais depressa. A mala a fugir-me do ombro, eu a voltar-me e não eras tu”.
Ele sempre replicava:
“Porque é que havia de ser eu?”
E enfastiado:
“E se fosse por que raio ia puxar-te a mala?”
Nesse ponto da conversa, ela continuava e ele ouvia, ou não ouvia, que era mais habitual abrir o jornal, por os óculos e limitar-se a pontuar o monólogo com ”hum hum”, “ham ham”, mais espaçados à medida que a fala avançava. Ela parecia não se importar, sentava-se, cruzava as pernas e entusiasmava-se a contar pela milésima vez o que lhe acontecera naquele ano, uns dias antes do Natal. Nessa altura, já não era ele que ali estava, molengão, desinteressado, a puxar por cigarro após cigarro. O outro olhava-a atentamente, seguia-lhe os gestos, bem expressiva a achava e ainda atraente, as rugas aos cantos dos olhos a darem-lhe um encanto de fruta madura. A expressão do outro, o interesse do outro, a graça com que o outro ajeitava a melena, inspiravam-lhe o conto que o Natal lhe trouxera, há uns anos, ao ser surpreendida pelo meliante que lhe sacou a mala e a deixou de mãos vazias, assustada, a gritar, sim, a gritar, a plenos pulmões, que o agarrassem, que era ladrão, que era ladrão, sem que ninguém se aproximasse. Nem imaginavam como se sentira só e desamparada, sem nada na mão, uma mulher sem uma mala na mão é como se estivesse despida. Aí ele costumava dizer “pois”, e virava a página do jornal. O outro tinha um sorriso maroto, ela fazia de conta que não notava e continuava. Quando conseguiu chegar à esquadra, muito afogueada, a contar em catadupa de palavras o que lhe acontecera, vítima de um assalto, ali, senhor guarda, agora mesmo, ninguém acudiu, ali, ao pé do jardim, senhor guarda. Ele interrompia-a, com enfado:
“Sim, já contaste, o guarda disse para te calares e te sentares e só depois de acalmares começou a tomar nota da ocorrência, não foi?”
E voltava ao jornal, agora de página dobrada ao meio, a apagar o cigarro. Ela sentia um friozinho no estômago, pensava em calar-se, levantar-se, sair, mas logo o outro a perguntar, já mais perto dela:
“E então, como foi?”
Era por isso que arranjava coragem para acabar o seu conto de Natal, a dizer que a mala tinha aparecido, sem dinheiro, claro, mas com os documentos todos, o que já não foi tão mau. Era por isso que não chorava quando ele resmungava:
“Agora só para o ano é que voltas a contar essa treta, OK?”
O outro lá estava, a dizer:
“Tens de me contar tudo outra vez. Com mais pormenores”.
Ajeitava a melena. O jornal continuava. Ela não saía.
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8:35 da tarde
NATAL
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2:30 da tarde
26.12.14
TÁ MAR
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2:24 da tarde
21.12.14
SOLSTÍCIO DEZEMBRO 2014
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